Como qualquer mãe, quando soube que estava grávida, Cristina fez todo o possível para ajudar o seu filho, Marcos, com três anos de idade, a se preparar para a chegada do bebê. Os exames mostraram que era uma menina. Marcos, todos os dias, cantava perto da barriga de sua mãe.
Ele já amava a sua irmãzinha antes mesmo que ela nascesse.
A gravidez se desenvolveu normalmente. No momento certo vieram as contrações. Primeiro, a cada cinco minutos; depois a cada três, a cada minuto...
Entretanto, surgiram algumas complicações e o trabalho de parto demorou horas. Todos discutiam a necessidade de uma provável cesariana. Depois de muito tempo, a irmãzinha de Marcos nasceu.
Só que ela estava muito mal.
Com a sirene no último volume, a ambulância levou a recém-nascida para a UTI de outro hospital. Os dias passaram. A menininha piorava. O médico disse aos pais:
- Preparem-se para o pior. Há poucas esperanças de vida.
Alguns dias atrás estavam arrumando o quarto para esperar pelo novo bebê. Hoje, os planos eram outros. Marcos todos os dias pedia aos pais que o levassem para conhecer a sua irmãzinha.
- Eu quero cantar para ela, dizia.
O bebê já estava há uma semana na UTI, e ninguém esperava que sobrevivesse. Marcos continuava insistindo com seus pais para que o deixassem cantar para sua irmã, mas crianças não eram permitidas na UTI. Cristina decidiu. Ela levaria Marcos ao hospital, de qualquer jeito. Ele ainda não tinha visto a irmã e, se não fosse naquele dia, talvez nunca mais a visse. Cristina vestiu Marcos com uma roupa um pouco maior, para disfarçar a idade, e foram para o hospital. A enfermeira percebeu a trama e não permitiu que ele entrasse. Cristina insistiu:
- Ele não irá embora até que veja a sua irmãzinha!
Desobedecendo a enfermeira, ela levou Marcos até a incubadora. Ele olhou para aquela trouxinha de gente que perdia a batalha pela vida. Depois de alguns segundos, olhando-a, começou a cantar:
"- Você é o meu sol, o meu único sol. Você me deixa feliz mesmo quando o céu está escuro..."
Nesse momento, o bebê pareceu reagir. A pulsação começou a se estabilizar. Cristina encorajou Marcos a continuar cantando.
"- Você não sabe, querida, quanto eu te amo. Por favor, não leve o meu sol embora!.."
Enquanto Marcos cantava, a respiração difícil do bebê foi se tornando suave.
- Continue, querido! Pediu Cristina, emocionada.
"- Outra noite, querida, eu sonhei que você estava em meus braços..."
O bebê começou a se mover.
- Cante mais um pouco, Marcos!
A enfermeira começou a chorar de emoção.
"- Você é o meu sol, o meu único sol. Você me deixa feliz mesmo quando o céu está escuro... Por favor, não leve o meu sol embora!.."
No dia seguinte a irmã de Marcos já tinha se recuperado e em poucos dias foi para casa.
Nunca abandone aquele que você ama.
O amor é incrivelmente poderoso.
Ame, acima de qualquer coisa.