Bento XVI presidiu este Domingo à celebração de abertura do II Sínodo especial para a África, juntando mais de 250 Bispos, para além de representantes e especialistas convidados, de todo o mundo. Na homilia proferida durante a Missa, na Basílica de São Pedro, o Papa falou de África como um “imenso pulmão espiritual para toda a humanidade”, mas alertou para as “patologias” que o ameaçam, o materialismo e o fundamentalismo religioso. “A África representa um imenso pulmão espiritual para uma humanidade que parece em crise de fé e de esperança. Mas também este pulmão pode adoecer. E neste momento há pelo menos duas patologias que o estão a afetar: antes de mais, uma doença já difusa no mundo ocidental, isto é, o materialismo prático, combinado com o pensamento relativista e niilista”, apontou. Bento XVI considerou “indiscutível o fato de o chamado «primeiro» mundo ter exportado, e continuar a exportar resíduos tóxicos espirituais, que contagiam as populações de outros continentes, em especial as populações africanas”. “Neste sentido, o colonialismo, terminado no plano político, nunca se concluiu completamente. Mas, precisamente nesta perspectiva, há que assinalar um outro vírus que poderia atingir também a África, ou seja, o fundamentalismo religioso, misturado com interesses políticos e econômicos”. O Papa alertou ainda para a difusão de “grupos ligados a diferentes pertenças religiosas” que se baseiam na “intolerância e a violência”.