Bento XVI manifestou-se contra a “indiferença” que hoje “condena centenas de milhões de seres humanos à morte por falta de alimentos, de água e de medicamentos”. Na mensagem papal para a Quaresma de 2010, publicada esta Quinta-feira pela Santa Sé, o Papa convidou os cristãos de todo o mundo a “contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem”. O texto apresenta uma reflexão sobre os conceitos de justiça e injustiça, assinalando que “aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei”. “Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais íntimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado à sua imagem e semelhança”, indica o Papa. Bento XVI admite que os bens materiais são úteis, lembrando que “o próprio Jesus se preocupou com a cura dos doentes, em matar a fome das multidões que o seguiam”, mas sublinha que “a justiça distributiva não restitui ao ser humano” tudo que lhe é devido. “Como e mais do que o pão, de fato, ele precisa de Deus”, assinala.